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25-Mai-2021 10:28 - Atualizado em 31/05/2021 10:33

Variantes da COVID-19: quais são, sintomas e o que significam

Variante é um termo utilizado para fazer referência às alterações genéticas que foram identificadas num determinado agente infeccioso, que podem fazer com que tenha maior capacidade de infecção e/ou transmissão, assim como maior resistência à ação do sistema imunológico, por exemplo.

As variantes são mais comuns de acontecerem em vírus, já que o material genético é, na sua maioria, constituído por RNA, que é menos estável que o DNA e que, por isso, tem maior probabilidade de sofrer alterações ao longo do tempo.

De forma geral, o que se sabe até ao momento é que as variantes da COVID-19 são, de fato, mais fáceis de transmitir, mas ainda não existem evidências que mostrem que as variantes possam causar casos mais graves da doença. No entanto, são ainda necessários mais estudos que avaliem o comportamento dessas variantes e seus efeitos no organismo.

Principais variantes da COVID-19

Atualmente as principais variantes da COVID-19 conhecidas são:

1. Variante do Reino Unido (B.1.1.7)
A variante do Reino Unido, também conhecida por variante B.1.1.7, foi primeiramente identificada em setembro de 2020, tendo sido verificada a presença de 17 mutações em relação ao coronavírus "original". Dentre essas 17 mutações, 8 estão relacionadas com a proteína S, que é a proteína presente na superfície do vírus e que permite que se ligue às células humanas, resultando na infecção.

O que significa: como consequência das mutações, a variante do Reino Unido consegue se ligar melhor às células humanas, dificultando trabalho do sistema imune para "quebrar" essa ligação, o que faz com que qualquer pessoa que entre em contato com esta variante tenha maiores chances de ficar doente do que com a variante "original". Além disso, como esta variante se espalhou muito rápido pelo Reino Unido, também se considera que tem maior capacidade de transmissão.

É mais grave? Alguns estudos demonstraram que a infecção com esta variante poderia estar relacionada com maior taxa de hospitalização e mortalidade, no entanto essa relação também poderia ser explicada pelo grande aumento do número de casos em pouco tempo, o que acabou sobrecarregando o sistema de saúde, atrasando o início do tratamento e medidas de suporte. Dessa forma, são necessários mais estudos para entender a real gravidade desta variante.

2. Variante da África do Sul (B.1.351 ou 501Y.V2)
A variante da África do Sul, também conhecida como variante B.1.351 ou 501Y.V2, foi primeiramente identificada em outubro de 2020 e, assim como a variante do Reino Unido, apresenta também algumas mutações na proteína S, o que faz com que o vírus se melhor às células humanas, resultando em infecção.

O que significa: esta variante apresenta maior transmissibilidade e é capaz de diminuir a ação dos anticorpos, o que dificulta o tratamento e recuperação da pessoa.

É mais grave? Ainda não existem evidências científicas que indiquem que essa variante está relacionada com casos mais graves de COVID-19.

3. Variante Indiana (B.1.617.1/ 2/ 3)
As variantes da Índia, conhecidas também por B.1.617.1, B.1.617.2 e B.1.617.3, foram identificadas entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021 e também apresentam mutações na proteína S, favorecendo a infecção.

O que significa: assim como as outras variantes, as mutações da variante Indiana aumentam a capacidade de transmissão do vírus.

É mais grave? Foi verificado que a variante B.1.617.1 é capaz de escapar da atividade dos anticorpos, enquanto que as variáveis B.1.617.2 e B.1.617.3 são capazes de neutralizar a resposta imunológica do corpo, fazendo com que o vírus sobreviva mais facilmente no corpo, favorecendo a infecção. No entanto, são necessários mais estudos para entender se isso se traduz numa infecção mais grave por COVID-19.

4. Variante Brasileira (P.1)
A variante brasileira, também conhecida como variante de Manaus, variante P.1, B.1.1.28 ou 501Y.V3, foi primeiramente identificada em dezembro de 2020 e apresenta 17 mutações, sendo 12 localizadas na proteína S e 3 no receptor presente nessa proteína, o que aumenta a afinidade de ligação entre o vírus e as células humanas.

O que significa: a taxa de transmissibilidade da variante brasileira é de até 2,4 vezes superior à variante "original" do coronavírus.

É mais grave? Os principais estudos indicam que esta variante é até 61% mais capaz de neutralizar e escapar da atividade dos anticorpos circulantes no organismo contra o vírus. Porém, inda não se consegue comprovar que esta variante provoque uma infecção mais grave, sendo necessários mais estudos.

Recentemente, foi também identificada a variante P.1.2, que surgiu como consequência de uma mutação na variante de Manaus, a variante P.1. No entanto, ainda não existem estudos que indiquem se essa variante é mais letal ou mais transmissível.

5. Variantes da Califórnia (B.1427 e B.1429)
As variantes da Califórnia, conhecidas como variantes B.1427 e B.1429, também possuem mutações na proteína S, o que aumenta a ligação do vírus com as células humanas.

O que significa: a capacidade de transmissão do vírus é mais elevada e, consequentemente, existe maior risco de ficar infectado caso se esteja em contato com alguém ou alguma superfície contaminada.

É mais grave? Foi verificado que as variantes da Califórnia apresentam uma leve resistência ao tratamento para COVID-19 indicado nos Estados Unidos, no entanto ainda não se sabe qual o impacto dessa resistência na evolução e gravidade da doença. 

Os sintomas das variantes são diferentes?

Até o momento não foram identificadas diferenças em termos de sintomas entre as variantes e, por isso, a única forma de identificar o tipo de variante responsável pela infecção é através de exame laboratorial molecular, em que é feita a identificação das mutações que são características de cada tipo de variante.

Assim, os sintomas de atenção continuam sendo:

  • Tosse seca persistente;
  • Cansaço excessivo;
  • Febre acima de 38º C;
  • Dor generalizada;
  • Perda de gosto e/ou olfato.

A identificação da variante é importante para a epidemiologia, pois ao saber as características do vírus mais circulante na região é possível estabelecer medidas de identificação do vírus, vigilância, prevenção e controle da infecção mais eficazes, que permitem diminuir o número de casos e até facilitar o tratamento. 

As vacinas são eficazes contra as variantes?

Até o momento, todas as vacinas disponibilizadas são eficazes contra as variantes circulantes, tendo sido verificado que a administração da vacina é capaz de estimular de forma eficaz a resposta imunológica, diminuir a transmissão do vírus e a incidência de infecção. No entanto, novos estudos estão sendo realizados para avaliar a duração da imunidade contra essas variantes, bem como o efeito sobre novas possíveis mutações do vírus.

Link fonte: https://www.tuasaude.com/variantes-covid/

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