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10-Jan-2020 08:00 - Atualizado em 24/08/2020 21:31

DIU: o que é, vantagens, dúvidas e como é colocado

O dispositivo intrauterino, conhecido popularmente como DIU, é um método contraceptivo usado por mulheres que não desejam engravidar. É formado por uma pequena haste de plástico, normalmente no formato das letras T ou Y, que é colocada dentro do útero.

Esta pequena haste fica por um tempo dentro do corpo da mulher (que varia de 5 a 10 anos) e libera substâncias que tornam o útero um local hostil para o espermatozoide, impedindo que ele fecunde o óvulo.

Tipos de DIU

janeiro, 2020, imprensa, Shutterstock
Tipos de DIUShutterstock

Atualmente, existem três tipos de DIU: de cobre, de prata e o hormonal (Mirena). Assim como sua composição, cada um possui um funcionamento diferente, que se adapta ao perfil de cada mulher. Confira as especificações dos três abaixo:

DIU de cobre

O DIU de cobre, como o nome sugere, possui uma haste maleável revestida com este metal. Durante sua ação, ele libera pequenas quantidades de cobre no útero, causando algumas alterações no endométrio (tecido que recobre a parte interna do órgão), no muco e na motilidade das trompas.

Desta forma, ocorre uma reação inflamatória que não faz mal ao organismo, mas que torna a região hostil ao espermatozoide. Assim, ele consegue evitar que uma gravidez aconteça.

O uso do DIU de cobre tem alta eficácia, com chances bem pequenas de gravidez (cerca de 0,7%), e seu efeito colateral mais frequente é o aumento do fluxo menstrual. Além disso, ele pode permanecer no corpo da mulher por até 10 anos.

DIU hormonal (Mirena)

O DIU hormonal, também conhecido como DIU Mirena ou SIU, além de produzir reações inflamatórias no útero, possui em sua estrutura uma haste com o hormônio progesterona.

Essa substância é liberada aos poucos durante seu uso e uma pequena quantidade pode ser absorvida pela corrente sanguínea. Porém, em termos gerais, o dispositivo atua da mesma forma que o DIU de cobre, causando alterações no útero que impedem a gravidez.

Além disso, de acordo com a bula do DIU Mirena, dois terços das mulheres que usam esse dispositivo apresentam um bloqueio da menstruação, considerado um efeito colateral do dispositivo. Em contrapartida, as chances de engravidar com este produto caem para 0,2% e ele é também indicado como tratamento em casos de mioma uterino, endometriose e adenomiose.

Qual a diferença do DIU de cobre para o Mirena?

Veja abaixo um quadro comparativo entre o DIU de cobre e o DIU Mirena:

Comparativo Mirena Cobre
Carga Hormonal Possui 52 mg de Levonorgestrel, liberando cerca de 20 mcg por dia Não possui hormônios
Risco de engravidar 0,2% 0,7%
Efeitos colaterais Chance de suspensão da menstruação e leve aumento de peso Aumento do fluxo menstrual e das cólicas
Vantagens Ajuda mulheres que entrarão na menopausa, reduz o fluxo menstrual e beneficia mulheres com endometriose Método mais barato, pode ser usado por mais tempo e não é afetado pelo uso de medicamentos
Indicações Mais optado por mulheres com endometriose, menopausa ou com dismenorreia (ou seja, fluxo menstrual forte e/ou doloroso)
Indicado para mulheres que tiveram câncer de mama, não tem problemas com fluxo menstrual
Contraindicações
Quem teve câncer de mama nos últimos 5 ou ou possui doenças hepáticas devem evitá-lo deve optar por outro tipo Mulheres alérgicas à cobre
Tempo de validade 5 anos
5 a 10 anos

DIU de prata

Menos conhecido e mais moderno, o DIU de prata é outra opção de método contraceptivo disponível no mercado. O dispositivo, que tem formato de "Y", une prata e cobre em sua composição e produz o mesmo efeito no útero impossibilitando a fecundação do óvulo pelos espermatozoides.

A diferença é que a prata faz com que a ocorrência de cólicas e o fluxo menstrual sejam menores em comparação com o DIU de cobre. Além disso, ela também diminui o risco de oxidação da estrutura de cobre dentro do organismo, aumentando a eficácia do método. Sua duração é de cinco anos.

Como é colocado o DIU?

O DIU é um contraceptivo que só pode ser colocado na mulher por um médico ginecologista. Somente esse profissional é autorizado e habilitado para inserir o dispositivo no interior do útero de forma segura e efetiva.Além disso, antes da implantação do DIU, ele deve fazer alguns exames ginecológicos para descartar a presença de alterações anatômicas e de infecções ou problemas na região.

Normalmente, a colocação é feita no próprio consultório médico, seguindo alguns procedimentos simples e indolores. Como resultado, a haste principal do DIU fica implantada dentro do útero, enquanto uma fina cordinha ligada à extremidade inferior do dispositivo é deixada dentro da vagina, para servir de suporte no momento da extração do dispositivo.

Esse fio é bem fininho e fica muito próximo à saída do colo do útero, de modo que não é sentido pela paciente. Geralmente, corta-se em dois centímetros para fora do orifício externo para ser visualizado e ser fácil de ser retirado.

O DIU pode ser inserido em qualquer momento do ciclo menstrual, contanto que se tenha certeza de que a paciente não esteja grávida. No entanto, é comum que ele seja colocado na época da menstruação, já que, nesse período, o colo do útero fica um pouco mais dilatado, facilitando a inserção. A sua eficácia é imediata, independentemente do período do ciclo.

No entanto, é comum que ele seja colocado na época da menstruação, já que nesse período o colo do útero fica um pouco mais dilatado facilitando o processo.

Chances de engravidar com DIU

As chances de se engravidar usando o DIU são baixas: 0,2% para o DIU Mirena; 0,6% para o DIU de prata; e 0,7% para o DIU de cobre.

Quando a gravidez utilizando DIU acontece, é mais fácil identificar quando o DIU é de cobre, porque nestes casos a menstruação, que continua descendo, fica atrasada.

Já no DIU Mirena, como muitas mulheres deixam de menstruar, pode demorar até os primeiros sintomas de gravidez aparecerem.

Efeitos colaterais

De modo geral, o uso do DIU pode causar dores na pélvis e aumentar o risco de infecções vaginais, apesar destes sintomas serem raros.

No caso de cada tipo existem efeitos colaterais específicos.

O DIU de cobre, por alterar o endométrio e muco, costuma:

  • Aumentar o volume da menstruação
  • Causar mais cólicas menstruais

Já o DIU de Mirena, por liberar hormônios, pode:

Suspender a menstruação definitivamente (em cerca de 80% dos casos)

  • Causar escapes (pequenos sangramentos)
  • Trazer um leve aumento de peso

Como fica a menstruação?

Com o DIU de Mirena a menstruação reduz bastante ou até chega a ser suspensa enquanto ele for usado (apesar de haver risco de escapes).

Já o DIU de cobre age de forma contrária, aumentando o fluxo menstrual e as cólicas.

Adaptação ao uso do DIU

A adaptação do uso do DIU varia de mulher para mulher.

Assim que o dispositivo é colocado, é normal que a mulher sinta um leve desconforto que pode durar por mais ou menos um dia.

Mas, de modo geral, qualquer desconforto costuma durar poucos dias.

Vantagens e desvantagens do DIU

Entre as vantagens do DIU está o fato de ele ser um dispositivo que fica fixo por um certo período no útero e funciona sozinho, não havendo risco de ser mau usado e por isso ter sua eficácia reduzida.

Dentre as principais vantagens específicas do DIU de cobre estão:

  • Baixo custo
  • Pode ser usado por até 10 anos
  • Não tem sua eficácia reduzida por nenhum medicamento

Mas suas desvantagens são:

  • Aumento do fluxo menstrual e cólicas

Já o DIU de Mirena tem entre suas vantagens:

  • Redução ou até mesmo suspensão da menstruação
  • Benefício a mulheres com endometriose ou que estão em fase de transição após a menopausa
  • Proteção contra o câncer de endométrio

Mas ele possui as seguintes desvantagens:

  • Aumento de peso
  • Mudanças de humor e libido, devido aos hormônios
  • É mais caro
  • Sua eficácia pode ser afetada por antiepiléticos (fenobarbital, fenitoína, carbamazepina), antituberculostáticos (rifampicina), antirretrovirais (ritonavir ou nevirapina) e antibióticos (por exemplo, rifampicina, rifabutina, nevirapina, efavirenz)

Compare o DIU de Mirena com a pílula anticoncepcional

É complicado comparar o DIU com as pílulas anticoncepcionais, já que cada tipo possui concentrações diferentes de hormônios.

No entanto, o DIU libera ao dia 20 mcg de levonogestrel, enquanto uma pílula comum costuma ter 0,1 mg desse hormônio. Ou seja, o DIU tem uma carga bem maior de hormônio feminino.

Indicações do DIU

O DIU é indicado para qualquer mulher maior de 14 anos e sexualmente ativa, que não tenha fatores de riscos para doenças inflamatórias pélvicas. De uma forma geral, quem opta por DIU são mulheres com filhos que desejam comodidade no método contraceptivo.

Mulheres com endometriose ou em período pós-menopausa são mais indicadas para o uso do DIU de Mirena.

Vale ressaltar, no entanto, que o método não deve ser oferecido como a primeira opção de contraceptivo para a paciente e isso ocorre por algumas razões:

  • O ideal é que o médico sempre comece oferecendo medidas terapêuticas (como contraceptivos) da mais simples para a mais complexa. Como o DIU requer o acesso direto à cavidade uterina e traz o risco de complicações como inflamações, corrimentos e infecções pélvicas, ele pode ser considerado uma técnica mais complexa do que a pílula, anel vaginal e outros contraceptivos.
  • Além disso, mulheres mais jovens e no início da vida sexual tendem a ter experiências mais diversas e ser menos atentas à proteção contra DSTs, e devem ser sempre incentivadas a usarem métodos de contraceptivos com baixa carga hormonal.

Contraindicações do DIU

O DIU não pode ser colocado em mulheres que apresentem:

  • Anormalidades anatômicas do útero
  • Infecção ginecológica ativa
  • Gravidez presente ou suspeita (mulheres grávidas não podem usar DIU, pois há elevado risco de aborto)
  • Câncer uterino(mulheres com câncer do endométrio ou do colo do útero não devem utilizar o DIU)
  • Sangramento ginecológico de origem não esclarecida (antes da implantação do DIU, qualquer sangramento anormal deve ser investigado)

O DIU de cobre, especificamente, também é contraindicado a mulheres com alergia à cobre.

Já o DIU de Mirena não deve ser utilizado por mulheres que tiveram câncer de mama nos últimos 5 anos ou doenças hepáticas, devido aos seus hormônios.

Por quanto tempo usar o DIU

O DIU de Mirena normalmente tem uma duração de 5 anos, enquanto o DIU de cobre pode ser usado por até 10 anos, dependendo do produto.

Usar mais tempo do que o recomendado faz com que o DIU pouco a pouco perca sua eficácia em evitar a gravidez.

Em quanto tempo após a retirada do DIU é possível engravidar?

Após a retirada do DIU, a mulher retoma sua fertilidade de imediato e já pode começar a tentar engravidar. Não há necessidade de esperar nenhum prazo.

Vale lembrar que qualquer casal tem algo como 50% de chance de engravidar após a suspensão de qualquer método contraceptivo, chegando a 85% em 6 meses.

Assim, se não houver impedimentos, a gestação deverá ocorrer em curto espaço de tempo.

Dúvidas frequentes

O DIU pode se deslocar ou sair sozinho?

Durante a menstruação o útero, que é um músculo, pode se contrair, alterando a posição do DIU e até mesmo expulsando-o. Por isso, seu monitoramento deve ser constante. Contudo, uma vez dentro da cavidade este terá sua ação contraceptiva mantida.

Como o DIU afeta a ovulação?

O DIU, mesmo que hormonal, não costuma alterar a ovulação. Por isso, sintomas como retenção de líquido e inchaço, comuns antes da menstruação (na chamada fase lútea), não são eliminados.

Como é a adaptação à colocação do DIU?

Isso pode variar de mulher para mulher, mas em geral a adaptação é simples. Pode-se ter um aumento de fluxo no caso de DIU de cobre e escapes inter-ciclos no caso do DIU Mirena.

Em ambos a paciente pode sentir dismenorreia levemente aumentada, que melhora com o tempo em geral.

É possível engravidar usando DIU?

O método tem 99% de sucesso em contracepção (Índice de Pearl). É muito raro acontecer uma gestação usando DIU.

Quando a gravidez acontece, é mais fácil identificar quando o DIU é de cobre porque nestes casos a menstruação, que continua descendo, fica atrasada.

Já no DIU Mirena, como muitas mulheres deixam de menstruar, pode demorar até os primeiros sintomas de gravidez aparecerem.

Referências

Ginecologista Pedro Monteleone (CRM-SP 81123), coordenador técnico do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e diretor da Clínica de Reprodução Humana Monteleone

Ginecologista Vamberto Maia (CRM-SP 118.297), especialista em reprodução humana assistida e membro do corpo-clínico da Clínica Mãe

Link fonte: https://minhavida.com.br/saude/tudo-sobre/32082-diu

 

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